segunda-feira, 27 de julho de 2020

MINHA CASA FUNCIONAL, MINHA VIDA.





No dia 6 de agosto de 1991, um colérico deputado sobe à tribuna para criticar o então Ministro da Marinha, que exigira – muito apropriadamente -, que militares da Marinha devolvessem os imóveis em que residiam quando passassem para a reserva. O que o deputado Jair Bolsonaro queria? Que o governo federal construísse novos imóveis funcionais para oficiais da ativa, já que as unidades existentes deveriam ser agregadas ao patrimônio dos que estavam se aposentando? O ministro desafeto do então deputado Bolsonaro era o almirante Mário César Flores, um militar legalista que, inclusive, desempenhou importante papel na transição democrática quando da deposição do ex-presidente Collor. É, parece que todo militar que exerça suas legítimas prerrogativas, rechaçando vantagens imorais para seus pares, terá no atual presidente um inimigo feroz.  Mas é preciso fazer um adendo: vários parlamentares dedicaram tempo e esforço para aprovar leis que beneficiaram esses oficiais com a “tão sonhada moradia”.


O SR. JAIR BOLSONARO (PDC - RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Srs. Deputados, na solenidade de aniversário do EMFA, o ilustre General Santa Cruz Abreu, Comandante Militar da Amazônia, defendeu com muita ênfase a seguinte posição: "A sociedade brasileira precisa se conscientizar da verdade sobre a ameaça das grandes potências em internacionalizar a Amazônia" . É preciso que se esclareça igualmente que a posição assumida pelo digno chefe militar, defendendo a criação de um organismo de alto nível para a defesa da Amazônia, vem sensibilizando os governadores da vasta região Amazônica - área física que concentra mais de 50% do território nacional. É motivo de orgulho para nós, brasileiros, tomarmos ciência da existência de militares realmente preocupados com a manutenção da integridade territorial de nosso País, cumprindo, de forma adequada e correta, o papel que compete aos cidadãos que, vocacionados para tal, seguem a carreira militar e não se omitem de seus deveres e obrigações para com a Pátria e a tropa na missão de defender nosso País. A posição assumida pelo General Santa Cruz Abreu é merecedora de nosso apreço e serve como alerta para toda Nação brasileira. Considerando que estou abordando um assunto de interesse da área militar, quero, em nome de diversos companheiros da Marinha de Guerra, manifestar minha estranheza em relação ao Memorando n" 7, de 11 de julho de 1991, Agosto de 1991 ;JIÁRIO DO CONGRESSO i'l 1NAL (Seção I) Terça-feira 6 12647 do Sr. Ministro da Marinha, no qual S. Ex' baixa diversas recomendações, em forma de ordens de serviço, aos comandos navais, referente aos próprios nacionais da Marinha brasileira. Neste documento, S. Ex' recomenda que o atendimento aos pedidos de passagem para a reserva sejam liberados tão-somente para aqueles que já tenham desocupado o próprio nacional que ocupam, no caso o imóvel da União, recomendando, outrossim, uma série de sanções para os militares que tentam por alguma forma adquirir o imóvel onde residem. No documento que ora abordo, o Sr. Ministro recomenda diversas medidas, as mais drásticas possíveis no sentido de punir aqueles militares que recorrem à Justiça comum para continuarem ocupando sua residência, ou mesmo adquiri-la por força de medida judicial. Entendem aqueles companheiros que fizeram chegar às minhas mãos o documento que agora cito ser dever do Sr. Ministro da Marinha olhar com mais acuidade para a triste situação da tropa, com os vencimentos baixos e dificuldades enormes para o sustento da família. Deixo registrado aqui desta tribuna o protesto da tropa, amordaçada por força de um regulamento que fere hoje os preceitos constitucionais

Nenhum comentário:

Postar um comentário

MINHA CASA FUNCIONAL, MINHA VIDA.

No dia 6 de agosto de 1991, um colérico deputado sobe à tribuna para criticar o então Ministro da Marinha, que exigira – muito apropr...