Jair
Messias Bolsonaro defende privilégios salariais e mordomias para militares há
mais de trinta anos. E nunca escondeu isso de ninguém. Nesse discurso, de junho
de 1991, ele também deixa claro seu total desprezo pela educação, indo inclusive
na contramão dos esforços da ONU no combate à erradicação do analfabetismo, um
problema que, na época, atingia 800 milhões de jovens e adultos no mundo
todo. Para o então deputado, gastar
dinheiro com educação é uma bobagem, já que “no entender” dele, basta uma
sombra de árvore para servir de sala de aula. Como se vê, a parcela do seu
eleitorado nunca foi enganada. Ela é caixa de ressonância da ignorância e do
obscurantismo que nos mantém servis aos interesses da elite retrógrada e hipócrita que o presidente tão bem representa.
11/6/1991
O SR. JAIR BOLSONARO (PDC - RJ. Sem revisão do orador.) -
Sr. Presidente, primeiramente. quero fazer uma crítica ao Senhor Presidente da
República. Um Governo que pretende realmente erradicar o analfabetismo no
Brasil não começa com planos de construir cinco mil Ciac. Se realmente S. Ex!
está preocupado em erradicar o analfabetismo, no meu entender, qualquer sombra
de árvore pode servir como sala de aula, a não ser que esteja preocupado não
com o analfabetismo, mas em fazer a alegria das empreiteiras. Apesar de estar
trabalhando pela rejeição da Medida Provisória nº 296 - e aprendi, na vida
militar, a sempre raciocinar com a pior hipótese, não só nos planos de combate,
mas na vida particular também - se, por acaso, essa medida provisória seguir
seu trâmite normal, peço aos nobres colegas especial atenção para uma emenda
que apresentei, no tocante à pensão militar, pois que esta visa simplesmente ao
cumprimento de um dispositivo constitucional; e, para que este seja
regulamentado, será necessária a fixação de um limite para as pensões
estabelecidas em lei. A exemplo do limite estabelecido pelo Regime Jurídico
Único, em seu art. 215, às pensionistas do funcionalismo civil da União, também
estabelecemos não apenas o teto de vencimentos de limites de Estado, mas o teto
equivalente ao posto ou à graduação daquele militar falecido. Sr. Presidente,
os militares estão ganhando pouco, isto é público e notório, e aqui no
Congresso não vejo qualquer pessoa que diga o contrário. Portanto, imagine V.
Exª a situação das viúvas pensionistas de militares, que ganham um terço do que
constitucionalmente tê
m direito. Era o que tinha a dizer.
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